
A cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano, deu um passo na agenda de articulação internacional ao iniciar tratativas para se tornar “cidade-irmã” de Aného, no Togo, na África Ocidental. A proposta, apresentada à prefeita Eliana Gonzaga, é impulsionada pelo Fórum de Entidades Negras da Bahia (FENEBA) e busca consolidar um eixo de cooperação que valorize memórias comuns, fortaleça vínculos culturais e abra oportunidades de intercâmbio institucional entre os dois territórios.
O projeto se apoia na compreensão de que Cachoeira e Aného compartilham marcas históricas atravessadas pelo Atlântico, com raízes na formação afro-diaspórica, nos processos de resistência cultural e na centralidade das tradições de matriz africana. Segundo publicações que noticiaram a iniciativa, a articulação ganhou força após atividades e agendas internacionais envolvendo representantes ligados ao FENEBA, incluindo participação em evento pan-africano realizado no país africano em dezembro, o que ajudou a estruturar a proposta de irmandade.
Aného, por sua vez, é uma cidade costeira situada próxima à fronteira com o Benin e carrega relevância histórica por ter sido capital em diferentes períodos da administração colonial: foi sede de Togoland, antigo protetorado alemão na que incluía o atual Togo e grande parte da de Gana em parte do fim do século XIX e, mais tarde, da ocupação francesa durante a Primeira Guerra Mundial, permanecendo como referência intelectual no país.
Catedral de São Pedro e São Paulo em Aného
Na prática, o modelo de “cidades-irmãs” costuma funcionar como um instrumento de diplomacia municipal, criando canais para cooperação técnica e cultural, missões institucionais, eventos conjuntos, projetos educacionais e ações de promoção turística e econômica. No caso de Cachoeira, a iniciativa mira também o fortalecimento da agenda antirracista e o reconhecimento internacional de um patrimônio cultural vivo, com potencial de traduzir a memória em parcerias concretas para a cidade e a região.
A expectativa, conforme o encaminhamento divulgado, é que as tratativas avancem para uma agenda formal de cooperação — com definição de eixos prioritários e construção de um calendário de ações — conectando instituições, agentes culturais e gestores públicos dos dois lados do Atlântico.
Mín. 21° Máx. 27°