
Para quem nunca ouviu falar da Beija-Flor de Nilópolis, da Marquês de Sapucaí ou do Bembé do Mercado, o desfile deste ano foi uma verdadeira aula de cultura brasileira. A escola de samba, uma das mais tradicionais do Carnaval do Rio de Janeiro, levou para a principal passarela do samba do país uma celebração religiosa e cultural nascida na Bahia, apresentando ao público global uma história marcada por fé, resistência e identidade.
A Marquês de Sapucaí é o sambódromo onde acontecem os desfiles das escolas de samba durante o Carnaval carioca. Ali, agremiações competem com apresentações que combinam música, dança, figurinos e carros alegóricos monumentais. Neste cenário, a Beija-Flor transformou a avenida em um oceano simbólico para homenagear o Bembé do Mercado, tradição originária de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano.

Marquês de Sapucaí - Sambódromo
O Bembé do Mercado surgiu há mais de um século, logo após o fim da escravidão no Brasil. Criado por João de Obá, tornou-se uma celebração pública de fé e liberdade. Todos os anos, comunidades ocupam as ruas para reverenciar divindades das religiões de matriz africana, especialmente Iemanjá e Oxum, em um ritual que simboliza resistência cultural e continuidade ancestral.
Reconhecido como patrimônio cultural brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Bembé é considerado o maior candomblé de rua do mundo. Ao levá-lo à Sapucaí, a Beija-Flor apresentou essa tradição a milhões de espectadores, ampliando sua visibilidade e valorizando a herança afro-brasileira.
Lateral de carro alegórico reproduzindo mercado de Santo Amaro
O desfile terminou com um carro alegórico que parecia navegar pela avenida, como se levasse oferendas simbólicas ao mar. O gesto representou uma entrega coletiva de fé e memória, conectando o público a uma história que nasceu no Recôncavo Baiano — região histórica da Bahia marcada pela forte presença cultural africana.
Para muitos espectadores internacionais, foi o primeiro contato com o Bembé do Mercado, com Santo Amaro e com o próprio Recôncavo Baiano. Mais do que espetáculo, a apresentação funcionou como ponte cultural, revelando ao mundo uma tradição que une espiritualidade, música, dança e resistência histórica
From Bahia to Rio de Janeiro: A Carnival Parade Introduces the World to a Sacred Afro-Brazilian Tradition
Beija-Flor samba school brings the Bembé do Mercado to the Sambadrome, turning spectacle into a tribute to faith, memory, and ancestry
For those unfamiliar with Beija-Flor, the Sambadrome, or the Bembé do Mercado, this year’s Carnival parade offered a powerful introduction to Brazilian culture. Beija-Flor de Nilópolis, one of Rio de Janeiro’s most celebrated samba schools, used the world-famous parade stage to present a religious and cultural tradition born in Bahia, revealing a story shaped by faith, resilience, and identity.
The Marquês de Sapucaí, commonly known as the Sambadrome, is the purpose-built venue where Rio’s samba schools parade during Carnival. In this arena, competing groups present performances that combine music, dance, elaborate costumes, and monumental floats. Within this grand setting, Beija-Flor transformed the avenue into a symbolic ocean to honor the Bembé do Mercado, a tradition originating in Santo Amaro da Purificação, in Bahia’s historic Recôncavo region.
The Bembé do Mercado began more than a century ago, shortly after the abolition of slavery in Brazil. Created by João de Obá, it became a public celebration of faith and freedom. Each year, communities gather in the streets to honor deities of Afro-Brazilian religions, especially Yemanjá and Oxum, in rituals that symbolize cultural resistance, belonging, and ancestral continuity.
Recognized as cultural heritage in Brazil, the Bembé is considered the largest street Candomblé ceremony in the world. By bringing it to Rio’s Sambadrome, Beija-Flor introduced this living tradition to millions of spectators, expanding its visibility and celebrating Afro-Brazilian heritage on a global stage.
The parade concluded with a float that seemed to sail down the avenue, symbolically carrying offerings to the sea. The gesture represented a collective act of devotion and remembrance, connecting audiences to a story rooted in Bahia’s Recôncavo, a region known for its deep African cultural influence.
For many international viewers, this was their first encounter with the Bembé do Mercado, with Santo Amaro, and with the Recôncavo Baiano itself. More than entertainment, the presentation served as a cultural bridge, revealing a tradition where spirituality, music, dance, and history flow together.
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