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Justiça mantém medidas protetivas para idosas da Irmandade da Boa Morte e expõe crise interna 

Decisão do Tribunal da Bahia reforça proteção a integrantes entre 83 e 97 anos após denúncias de agressões, ameaças e desrespeito à hierarquia da tradicional confraria centenária

22/04/2026 às 07h35 Atualizada em 22/04/2026 às 07h53
Por: Redação
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Foto Wuinga Rubini SECOM BA
Foto Wuinga Rubini SECOM BA

A Justiça da Bahia confirmou medidas protetivas em favor de integrantes idosas da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira (BA), uma das mais importantes instituições religiosas e culturais do país. As mulheres, com idades entre 83 e 97 anos, denunciaram agressões físicas, ameaças e constrangimentos supostamente praticados por mulheres que integravam o grupo na condição de noviças.

Segundo os relatos apresentados no processo, as vítimas afirmaram temer por suas vidas, inclusive diante da informação de que uma das envolvidas possuía armamento. O pedido inicial de proteção havia sido negado em primeira instância, levando a Defensoria Pública do Estado da Bahia a recorrer ao Tribunal de Justiça da Bahia.

Em agosto de 2025, o Tribunal concedeu decisão liminar favorável às irmãs. Já em abril de 2026, a Segunda Câmara do TJ-BA retomou a análise do caso e manteve a proteção anteriormente estabelecida.

Instituição histórica e símbolo de resistência

Fundada no século XIX por mulheres negras, muitas delas ex-escravizadas e descendentes de africanas, a Irmandade da Boa Morte é reconhecida nacional e internacionalmente por sua relevância histórica, religiosa e cultural. Sediada em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, a confraria reúne tradições do catolicismo popular e heranças afro-brasileiras, sendo símbolo da resistência feminina negra no Brasil.

Todos os anos, a celebração da Boa Morte atrai visitantes, pesquisadores e devotos de diversas partes do mundo, movimentando o turismo cultural e religioso da região.

Conflito interno e quebra de tradição

De acordo com integrantes da irmandade, o conflito teria relação com desrespeito às normas internas e à hierarquia histórica da instituição. As noviças representam a fase preparatória antes da consagração como irmãs efetivas, passando por período de formação, disciplina e acompanhamento.

A irmã Cleuza Santana afirmou que houve comportamentos incompatíveis com a tradição da entidade, gerando tensão psicológica e desgaste entre as integrantes mais velhas.

Processo segue em andamento

A defensora pública Ethiene Wenceslau destacou que as medidas protetivas permitiram maior tranquilidade às idosas e garantiram a preservação de seus direitos fundamentais. Apesar da manutenção da decisão, o processo principal continua tramitando na comarca de Cachoeira.

O caso chama atenção não apenas pelo aspecto judicial, mas por envolver uma das instituições mais emblemáticas da memória afro-brasileira, cuja preservação depende também da harmonia interna e do respeito às suas tradições centenárias.

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Sobre o município
Cachoeira é um município do estado da Bahia, no Brasil. Situa-se às margens do Rio Paraguaçu. Está distante cerca de 120 km da capital do estado, Salvador. Sua área é de 395 quilômetros quadrados e a população, conforme estimativas do IBGE de 2019, era de 33.470 habitantes.
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