
Foto: Lucas Malkut / Ascom Funceb
A noite de abertura da última exposição coletiva que integrou os Salões de Artes Visuais da Bahia, promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (Funceb/SecultBA), ocorreu no dia 10 de dezembro (terça-feira), na Fundação Hansen Bahia, em Cachoeira. A 70ª edição do projeto reuniu a equipe da Funceb e artistas do recôncavo, da capital e de outras regiões do estado ao lado de suas obras, com momentos de premiações e discursos repletos de emoção.
Ao todo, foram 15 artistas selecionados e seis premiados dos municípios de Cachoeira, Salvador, Alagoinhas, Vera Cruz, São Félix, Simões Filho, Santo Amaro e Lauro de Freitas. Modalidades artísticas como fotografia, pintura, instalação, objeto, performance e colagem fizeram parte da mostra. Os artistas premidos foram: Anderson Santos (Salvador); Devarnier Hembadoom Apoema (Simões Filho); Jamile Cazumbá (Cachoeira); Lucimélia Romão (São Félix); Juliana Timbó e Nila Timbó da Timbó Atelier (Salvador) e Vírus Carinhoso (Salvador). Os seis macroterritórios tiveram 21 premiados em suas edições.
Os artistas selecionados foram: Adriano Machado (Alagoinhas); Anderson Santos (Salvador); Augusto Leal (Simões Filho); Chanckoo Karann (Salvador); David Sol (Santo Amaro); Devarnier Hembadoom Apoema (Simões Filho); Fernando Bernardes (Vera Cruz); Jamile Cazumbá (Cachoeira); Lucimélia Romão (São Félix); Mário Vasconcelos (Salvador); Milena Ferreira (Salvador); Pedro Silveira (Salvador); Juliana Timbó e Nila Timbó da Timbó Atelier (Salvador); Uillian Novaes (Lauro de Freitas) e Vírus Carinhoso (Salvador).
“Em 2022, houve a retomada dos Salões de Artes Visuais da Bahia, entretanto, desde 2014 não tínhamos Salões no interior do estado. Para a Funceb, encerrar essa edição onde a gente retoma a itinerância, aqui nessa cidade que é o berço da independência do país, é muito importante e simbólico. Foi um desafio gigantesco durante um mês rodar seis municípios e alcançar os 27 territórios da Bahia. Estamos partindo daqui com a certeza de que fizemos um trabalho de alcance no fomento às artes visuais muito bom”, comemorou a diretora geral da Funceb, Sara Prado.
A artista visual, dramaturga e performer, Lucimélia Romão, foi a primeira a receber o prêmio da noite com a instalação ‘Crime de honra’. Bastante emotiva, ela dedicou o prêmio à sua mãe, que estava em São Paulo e fez a parte do bordado e do crochê na obra junto com ela. “A sensação é incrível, por que é o primeiro trabalho que fiz junto com minha mãe, então sinto que estamos gestando juntas. Não tem como dimensionar a alegria que estou hoje. Ela não pode vir, mas acendeu uma velinha pra gente ganhar”, celebrou a artista.
Soteropolitana, nascida e criada no bairro da Palestina, Jamile Cazumbá foi premiada com a performance ‘um ritual-recital-performático III: um lugar que eu digo saber inventar’, terceiro ato da pesquisa intitulada ‘ritual-recital-performático’, que vem sendo desenvolvida desde 2019. Artista do corpo e da palavra, transitando pelas artes visuais, cênicas, cinema e literatura, ela apresentou a performance ao vivo, no dia da abertura, encantando todas as pessoas presentes.
“Receber esse prêmio é muito mais do que acessar um lugar de destaque, pelo contrário, é poder perceber as vidas que estão sendo acessadas nesse momento. Ganhar esse prêmio é reconhecer sobre a importância de nossas vidas, o quão nossas presenças são potentes e honrar meus ancestrais. Ofereço meu corpo a todos os corpos e corpas que não puderam estar hoje. Estar aqui partilhando com artistas que admiro é meu maior prêmio”, declarou Cazumbá.
Vírus Carinhoso, artista multilinguagens soteropolitano, em seu trabalho criativo, pesquisa as artes contemporâneas traduzindo-as em performances expressivas que permeiam a música, a poesia, o canto, a dança e o visual. Foi premiado com a performance ‘SANKOFA’, uma jornada de retorno às origens, um mergulho profundo nas raízes ancestrais e uma celebração da resistência cultural e espiritual. “Estou em êxtase com a premiação. Não quis criar expectativa, mas torci muito. Só gratidão pura”, disse o artista.
Juliana Timbó, artesã e artista autodidata cearense da madeira de demolição, integrante da Timbó Atelier ou Timbó Marcenaria, junto com a cantora de ópera, artista-pesquisadora e diretora musical, Nila Timbó, deram forma à obra premiada ‘Calendário de espera’. “Estamos muito felizes em participar com artistas que a gente acompanha e admira. É um momento muito gostoso de vermos o cenário das artes visuais daqui da Bahia. Ser premiada é muito bom por que é um reconhecimento pelo trabalho, principalmente por ser minha primeira participação em Salão”, refletiu Juliana Timbó, presente na premiação.
Os demais artistas premiados foram: Anderson Santos, natural de Salvador, pintor figurativo, com a pintura a óleo ‘Presenza 39 (L’età della terra)’ e o artista visual, Devarnier Hembadoom Apoema, com a pintura ‘Yemanjá, ansiosa, ingeri um ansiolítico em razão dos infindáveis detritos humanos lançados ao mar...’. Ambos não compareceram à festa da premiação. “Queremos a partir de 2025 continuar com essa itinerância, pra que a gente consiga alcançar outros Salões, não apenas das seis cidades em que estivemos, mas em Salvador, fora da Bahia e onde o mundo nos levar, por que as artes visuais da Bahia merece esse lugar e esse tamanho”, afirmou Sara Prado.
No dia seguinte, 11 de dezembro (quarta-feira), às 10h, foi realizado um bate-papo aberto ao público com os artistas. A diretora das artes, Gabriela Sandyeggo, conduziu a conversa junto com integrantes da comissão que elegeu as obras premiadas e os artistas que estavam no município. Pautas como editais, a importância dos Salões, questões políticas e dúvidas foram levantadas e esclarecidas, cumprindo o objetivo do encontro. Quem quiser apreciar as obras expostas, tem até o dia 09 de janeiro de 2025, de terça a sexta-feira, das 09h às 17h e sábado, das 09h às 13h para conferir. A entrada é gratuita.
Sobre os Salões de Artes Visuais da Bahia
Criados em 1992, os Salões de Artes Visuais da Bahia consolidaram-se como um dos principais instrumentos de incentivo à criação e difusão de produção artística e à dinamização dos espaços expositivos do estado da Bahia.
Assim, os Salões de Artes Visuais da Bahia visam apresentar ao público uma mostra contemporânea em Artes Visuais, retomando suas exposições distribuídas nos seis macroterritórios da Bahia, oportunizando o acesso a essa produção para um público diversificado, oriundo de diversas cidades do estado. Além de divulgar o trabalho dos artistas, pretende-se estimular a reflexão sobre temas das artes contemporâneas por encontros formativos e bate-papo com os artistas.
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